QUEIMARAM O FEITIÇO OU O FEITICEIRO?
Pastor, entregue primeiro o teu feitiço; depois, receba o dos outros.
Há perguntas que precisam ser feitas, mesmo quando incomodam.
Queimaram o feitiço ou queimaram o feiticeiro?
Antes de receber o “feitiço” dos outros, os próprios pastores deveriam ser os primeiros a entregar os seus. Antes de apontar o dedo para os outros, deveriam ter a coragem de olhar para dentro das próprias casas e examinar as próprias práticas.
Porque é muito fácil identificar aquilo que está nas mãos dos outros. Mais difícil é reconhecer aquilo que precisa ser abandonado dentro de nós.
PRIMEIRO, OLHE PARA DENTRO
Como podem alguns querer libertar os outros daquilo que eles mesmos são acusados de praticar?
Como podem condenar nos outros aquilo que não conseguem enfrentar em si mesmos?
Estas perguntas não são feitas para defender a feitiçaria, nem para diminuir a gravidade das práticas ocultas. São feitas para confrontar uma contradição: se a mensagem é de libertação, quem está no altar também precisa permitir que a própria vida seja examinada.
Não se pode subir ao altar para denunciar as trevas dos outros enquanto se tenta esconder as próprias sombras.
O altar não deve ser apenas um lugar para receber aquilo que o povo entrega.
O altar também deve ser lugar de exame, arrependimento, renúncia e entrega pessoal.
“PASTOR, ENTREGUE PRIMEIRO O TEU FEITIÇO”
Esta é a parte que mais confronta.
Pastor, entregue primeiro o teu feitiço; depois, receba o dos outros.
Se é necessário que o povo entregue aquilo que está relacionado às suas antigas práticas, então aqueles que estão conduzindo o povo também deveriam estar dispostos a colocar diante de Deus tudo aquilo que precisa ser abandonado.
Antes de receber a entrega dos outros, examine a sua própria vida.
Antes de perguntar o que está escondido na casa do outro, pergunte o que está escondido na sua.
Antes de denunciar aquilo que o outro pratica, permita que Deus examine aquilo que você pratica.
Porque não existe coerência em exigir do povo uma renúncia que o próprio líder não está disposto a fazer.
⚠️ QUE CONTRADIÇÃO É ESSA?
Muitos dos que estavam naquela cruzada são conhecidos por práticas de magia e feitiçaria. Mas, ao mesmo tempo, existem comportamentos entre aqueles que dizem servir a Deus que também precisam ser confrontados.
- São confusionistas.
- Não se amam.
- Vivem em disputas.
- Lutam pelos templos.
- Levam às autoridades questões que deveriam ser resolvidas entre aqueles que dizem servir a Deus.
E depois levantam-se para falar das obras das trevas.
Que contradição é essa?
Não estou dizendo que uma coisa justifica a outra.
Estou dizendo que, se queremos realmente falar de libertação, precisamos ter coragem de olhar para todos os lados.
O pecado não deixa de ser pecado porque está dentro de uma igreja.
E uma prática não se torna santa simplesmente porque quem a denuncia está em cima de um altar.
💡 A LUZ TAMBÉM DEVE CHEGAR AO ALTAR
Quando a luz entra em uma casa, ela não ilumina somente o que queremos mostrar.
Ela revela também o que estava escondido.
Por isso, quando falamos de libertação, precisamos permitir que a luz de Deus examine primeiro aqueles que estão conduzindo a mensagem.
Não podemos pedir ao povo:
“Examine-se!”
sem estarmos dispostos a dizer:
“Nós também precisamos nos examinar.”
Não podemos exigir:
“Renuncie!”
sem estarmos dispostos a responder:
“Nós também renunciamos.”
A verdadeira confrontação não começa apontando para o outro.
Começa permitindo que Deus aponte para nós.
NÃO BASTA QUEIMAR OBJETOS
É possível queimar um objeto e não mudar uma vida.
É possível destruir um símbolo e continuar preso às mesmas práticas.
É possível fazer uma grande demonstração pública e, no interior, nada ter mudado.
Por isso, a pergunta precisa ir além daquilo que foi colocado no fogo:
O que aconteceu dentro do coração?
Porque libertação não é simplesmente livrar-se de alguma coisa que estava nas mãos.
Libertação envolve mudança de vida.
Envolve arrependimento.
Envolve renúncia.
Envolve abandonar aquilo que Deus reprova.
Se tudo termina no fogo dos objetos, mas a vida continua a mesma, precisamos perguntar se realmente houve transformação.
A MESMA MENSAGEM PARA TODOS
Se a mensagem é contra a feitiçaria, então deve ser contra a feitiçaria de todos.
Se é contra as obras das trevas, deve começar também por aqueles que estão no altar.
Se existe necessidade de arrependimento, o arrependimento não pode ser exigido somente do povo.
Se existe necessidade de santidade, ela também precisa alcançar os líderes.
Se existe necessidade de renúncia, quem está ensinando precisa estar disposto a renunciar.
A Palavra de Deus não foi entregue para ser usada como instrumento para corrigir somente os outros.
Ela também nos corrige.
ANTES DE APONTAR, EXAMINE
Talvez esta seja uma das perguntas mais importantes:
Se Deus colocasse hoje um espelho diante de nós, o que veríamos?
Veríamos somente aquilo que queremos mostrar?
Ou também encontraríamos aquilo que temos tentado esconder?
É muito fácil apontar o dedo.
É muito difícil olhar para o próprio coração.
É muito fácil receber aquilo que os outros entregam.
É muito difícil entregar aquilo que nós mesmos ainda seguramos.
Por isso, antes de receber o “feitiço” dos outros, é necessário perguntar:
O que existe dentro de mim que também precisa ser entregue?
O ALTAR NÃO É UM ESCONDERIJO
O altar não pode servir de esconderijo para aquilo que precisa ser confrontado.
Quem sobe ao altar não se torna automaticamente incapaz de errar.
Quem prega também precisa ouvir.
Quem ensina também precisa aprender.
Quem confronta também precisa ser confrontado pela Palavra.
Quem chama outros ao arrependimento também precisa permanecer em arrependimento diante de Deus.
O pastor não está acima da Palavra.
O pregador não está acima da correção.
O líder também precisa ser examinado.
PASTOR, ENTREGUE PRIMEIRO
Pastor, não exija dos outros uma renúncia que você mesmo não está disposto a fazer.
Entregue primeiro o teu feitiço.
Depois, receba o dos outros.
Examine primeiro a tua casa.
Depois, ajude o outro a examinar a dele.
Olhe primeiro para dentro.
Depois, confronte aquilo que está fora.
Porque não se pode querer limpar a casa dos outros enquanto se tenta esconder a sujeira da própria casa.
A mensagem de libertação precisa começar por quem está anunciando a libertação.
UMA PERGUNTA PARA A IGREJA
Talvez a pergunta não seja somente:
“O que essas pessoas trouxeram?”
Talvez devêssemos perguntar também:
“O que nós precisamos entregar?”
O que precisa morrer?
O que precisa ser abandonado?
O que precisa ser confessado?
O que precisa ser corrigido?
O que precisa ser reconciliado?
O que precisa ser retirado da nossa própria casa?
Porque a verdadeira obra de Deus não consiste apenas em receber aquilo que o povo coloca diante do altar.
Consiste também em permitir que Deus coloque a nossa própria vida diante da Sua luz.
CONCLUSÃO
Queimaram o feitiço ou o feiticeiro?
A pergunta permanece.
Não basta olhar para aquilo que foi queimado.
Precisamos olhar para aquilo que permanece.
Não basta perguntar o que o povo entregou.
Precisamos perguntar o que aqueles que estão no altar estão dispostos a entregar.
Não basta denunciar as sombras dos outros.
Precisamos permitir que a luz de Deus revele também as nossas.
Pastor, entregue primeiro o teu feitiço; depois, receba o dos outros.
Antes de apontar o dedo, olhe para o espelho.
Antes de receber, examine.
Antes de denunciar, permita ser confrontado.
E antes de pedir libertação para os outros, pergunte a Deus:
“Senhor, existe alguma coisa em mim que também precisa ser entregue?”
Perguntas para reflexão pessoal
1. Estou mais preocupado em denunciar os outros ou em examinar a minha própria vida?
2. Exijo dos outros uma renúncia que eu mesmo não estou disposto a fazer?
3. O que existe dentro de mim que precisa ser entregue a Deus?
4. A minha vida confirma aquilo que eu prego?
5. Se Deus examinasse hoje a minha casa, o que encontraria?
6. Estou usando o altar para servir a Deus ou para esconder aquilo que precisa ser tratado?
7. Tenho coragem de permitir que a mesma mensagem que prego aos outros também me confronte?
Lopes Manuel – Apóstolo das Ruas
Voz das Ruas — onde Deus fala aos esquecidos

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