QUANDO A PALAVRA ME CONFRONTA




E se aquilo que mais te incomoda numa pregação for justamente aquilo que Deus quer transformar em ti?

Nem sempre rejeitamos uma mensagem porque ela está errada. Às vezes, rejeitamo-la porque ela tocou num lugar que não queremos entregar a Deus.

Há palavras que confortam, mas também há palavras que confrontam. Há mensagens que nos abraçam, mas há outras que nos fazem parar, olhar para dentro e reconhecer aquilo que temos tentado esconder.

E é nesse momento que o coração é provado.

Quando a Palavra expõe o pecado, podemos escolher o arrependimento ou a defesa. Podemos permitir que Deus nos transforme ou procurar uma forma de justificar aquilo que não queremos abandonar.

Uma das formas mais perigosas de fugir do confronto é atacar o mensageiro.

Em vez de perguntarmos:

 “O que Deus está a falar comigo através desta mensagem?”, começamos a perguntar: 

“Quem é ele para falar disso?”, “Por que falou assim?”, “Será que ele também não erra?”

E talvez tudo isso seja apenas uma maneira de não responder àquilo que Deus acabou de revelar ao nosso coração.

A Palavra não veio apenas para nos informar

A Palavra de Deus não foi dada apenas para aumentar o nosso conhecimento. Ela também revela o que existe dentro de nós.

Quando somos confrontados, nem sempre significa que Deus está contra nós. Muitas vezes, significa exatamente o contrário: Deus está a chamar-nos para uma mudança.

O confronto pode ser uma expressão da graça.

Uma ferida precisa ser exposta antes de ser tratada. Um pecado precisa ser reconhecido antes de ser abandonado. Um coração precisa admitir a sua condição antes de experimentar transformação.

Por isso, nem toda mensagem que incomoda deve ser rejeitada.

Talvez ela esteja a fazer aquilo que deveria fazer: despertar-te.

O problema não é ser confrontado

Ninguém gosta de descobrir que está errado.

Preferimos ouvir palavras que confirmem as nossas escolhas, alimentem o nosso orgulho e não exijam mudança. Mas seguir a Deus também significa permitir que Ele confronte áreas da nossa vida que ainda não entregámos.

O verdadeiro perigo não está em sermos confrontados.

Está em ouvirmos o confronto e permanecermos iguais.

Podemos conhecer a Palavra e continuar presos aos mesmos pecados. Podemos ouvir sermões todos os domingos e nunca permitir que a mensagem chegue ao coração. Podemos até defender a nossa fé com palavras enquanto resistimos à transformação que Deus está a pedir de nós.

A Palavra não deve apenas passar pelos nossos ouvidos.

Ela precisa alcançar o coração.

Antes de julgar a mensagem, examine o coração

Da próxima vez que uma pregação te incomodar profundamente, talvez seja melhor não reagires imediatamente.

Para.

Ora.

Examina o teu coração.

Pergunta:

“Por que isto me incomodou tanto?”

“Existe alguma coisa em mim que Deus está a revelar?”

“Estou a rejeitar esta mensagem porque ela é realmente contrária à Palavra ou porque não quero mudar?”

Essas perguntas podem ser desconfortáveis, mas podem também abrir a porta para um verdadeiro arrependimento.

Nem todo confronto vem para nos destruir.

Alguns confrontos vêm para nos libertar.

O mensageiro não é o centro

É importante lembrar: 

o mensageiro é apenas um instrumento.

Homens falham. Pregadores falham. Líderes falham. Todos somos limitados.

Mas a nossa imperfeição não deve ser usada como desculpa para rejeitar automaticamente uma verdade bíblica.

Examina a mensagem à luz da Palavra.

Se estiver errada, rejeita o erro.

Mas se a Palavra estiver a confrontar o teu pecado, não transformes o mensageiro no teu inimigo apenas porque ele disse aquilo que não querias ouvir.

Talvez Deus esteja a usar uma voz imperfeita para tocar numa área que precisa desesperadamente da Sua intervenção.

O verdadeiro arrependimento começa quando paramos de nos justificar

Arrependimento não é simplesmente sentir culpa.

É reconhecer, abandonar e voltar para Deus.

Enquanto estivermos ocupados a explicar por que fazemos aquilo que fazemos, dificilmente estaremos dispostos a mudar.

Enquanto culparmos os outros, não examinaremos a nós mesmos.

Enquanto atacarmos quem nos confronta, talvez nunca enfrentemos aquilo que precisa ser tratado dentro de nós.

Por isso, quando a Palavra te confrontar, não perguntes apenas:

“Quem falou?”

Pergunta também:

“O que Deus está a querer transformar em mim?”

Essa pergunta pode mudar tudo.

Porque existe uma grande diferença entre ouvir uma mensagem e permitir que Deus use essa mensagem para transformar a nossa vida.

Não fuja do confronto

Talvez hoje exista algo que Deus já te mostrou várias vezes.

Um pecado que continuas a justificar.

Uma atitude que sabes que precisas abandonar.

Uma ferida que alimentas.

Um orgulho que escondes.

Uma desobediência que tentas chamar de “fraqueza”.

E talvez tenhas ficado irritado com a última mensagem que ouviu porque ela tocou exatamente nesse ponto.

Não fuja.

Não ataque.

Não se esconda.

Pare e ouça.

Talvez aquilo que mais te incomodou tenha sido justamente o instrumento que Deus usou para chamar a tua atenção.

A Palavra que confronta também pode ser a Palavra que cura.

O confronto pode conduzir ao arrependimento.

O arrependimento pode conduzir à transformação.

E a transformação pode revelar que Deus não estava a tentar humilhar-te.

Estava a tentar salvar-te de continuar a ser a mesma pessoa.

Uma oração

Senhor, dá-me um coração humilde para receber a Tua Palavra.

Quando ela me confortar, ajuda-me a agradecer.

Quando ela me confrontar, ajuda-me a não fugir.

Livra-me do orgulho que me faz atacar quem me corrige e da cegueira que me faz justificar os meus próprios erros.

Mostra-me aquilo que precisa morrer em mim.

Dá-me coragem para abandonar o pecado, humildade para reconhecer os meus erros e fé para permitir que Tu transformes o meu coração.

Que eu não seja apenas alguém que ouve a Tua Palavra, mas alguém que permite que ela transforme a minha vida.


Apóstolo das Ruas — Voz que fala aos esquecidos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Ainda há tempo para voltar

Minha oração

Eu amo os que me odeiam