NEM TODO ABRAÇO MERECE CONFIANÇA
Com o decorrer do tempo, aprendi que abraçar as pessoas é bonito, mas abraçar todos sem discernimento pode ser perigoso.
Eu era alguém que abraçava até aqueles que me prejudicavam no oculto, enquanto fingiam estar ao meu lado. Eu acreditava na sinceridade do abraço, mas nem sempre percebia o que existia por trás dele.
Com o tempo, entendi uma coisa:
não abraçar alguém 100% também pode ser sabedoria.
Isso não significa tornar-se uma pessoa fria, orgulhosa ou incapaz de amar. Significa apenas aprender que amor não elimina discernimento.
Podemos amar alguém sem confiar-lhe tudo.
Podemos perdoar sem voltar a permitir o mesmo acesso.
Podemos desejar o bem de alguém sem colocá-lo novamente no centro da nossa vida.
Podemos cumprimentar, respeitar e até abraçar, mas ainda assim manter certos limites.
Porque existem pessoas que se aproximam para conhecer as nossas fraquezas, descobrir os nossos planos e encontrar o momento certo para nos ferir.
Nem todo abraço é sincero.
Nem todo sorriso é amizade.
Nem toda aproximação é lealdade.
Por isso, não devemos permitir que a nossa bondade nos faça perder o discernimento.
Não abrace até uma anaconda, porque ela pode usar o próprio abraço para te engolir. 🐍
Há pessoas que, quando recebem acesso demais, não valorizam a confiança; usam-na contra nós.
A sabedoria também está em saber quem abraçar, até onde abraçar e quando manter distância.
Jesus ensinou-nos a amar, mas amor não significa ausência de prudência. O coração pode permanecer cheio de amor enquanto os limites permanecem firmes.
Aprendi que nem todos precisam conhecer tudo sobre mim. Nem todos precisam caminhar tão perto. Nem todos merecem acesso aos meus sonhos, aos meus projetos, às minhas lutas e às partes mais profundas da minha vida.
Ser bom não significa ser ingênuo.
Perdoar não significa esquecer o discernimento.
Amar não significa entregar-se sem limites.
Há momentos em que a distância também é uma forma de sabedoria.
Portanto, ame. Perdoe. Respeite. Faça o bem.
Mas tenha discernimento.
Porque até no meio dos abraços pode existir uma anaconda.

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